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Atraso na Transnordestina impacta cronograma logístico do Nordeste

Ferrovia Transnordestina começaria a operar em 2026, mas Ibama barrou por falta de licença de operação. Foto: Kid Júnior.

 

O início da operação da Ferrovia Transnordestina sofreu novo adiamento e ficou previsto apenas para 2026. A informação foi confirmada pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária responsável pela construção e futura operação da ferrovia, que atribui o atraso a entraves relacionados ao licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As declarações foram feitas pelo diretor-presidente da TLSA, Tufi Daher Filho, durante evento promovido pela Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Aecipp), realizado no Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo o executivo, a impossibilidade de iniciar a chamada operação comissionada — fase em que os trens circulam para testes técnicos e operacionais — impediu o início das viagens das locomotivas ainda em 2025. Com isso, a expectativa da concessionária é dar início à circulação somente no começo do próximo ano.

Em outubro, a TLSA havia anunciado a liberação, por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), da operação experimental em um trecho de 679 quilômetros da Transnordestina, ligando o município de São Miguel do Fidalgo, no Piauí, a Acopiara, no interior do Ceará. Contudo, o trecho que seria efetivamente utilizado nos testes era menor, compreendendo o percurso entre Bela Vista, no Piauí, e Iguatu, no Ceará, incluindo ainda parte do território de Pernambuco.

Apesar da autorização da ANTT, a operação acabou sendo suspensa na véspera do início previsto, após o Ibama negar a emissão da Licença de Operação (LO). O órgão ambiental explicou que ainda existiam pendências técnicas e documentais que inviabilizavam a concessão da licença naquele momento. Em nota, o instituto reforçou que a LO somente será emitida após o cumprimento integral das exigências e a comprovação da viabilidade ambiental da ferrovia em operação.

No fim de novembro, a TLSA informou ter protocolado toda a documentação solicitada pelo Ibama e passou a aguardar a reanálise do processo. Procurado, o órgão federal confirmou o recebimento do material e informou que a avaliação técnica segue em curso. A previsão é de que o parecer conclusivo seja emitido nesta sexta-feira (12) e, em caso de aprovação, a licença entra em vigor imediatamente.

Paralelamente às tratativas para liberação da operação, a concessionária segue avançando nas obras da ferrovia, especialmente no Ceará. Durante o evento no Pecém, Tufi Daher Filho anunciou que a TLSA deve formalizar, nesta quinta-feira (11), a contratação dos lotes 9 e 10 da Transnordestina, em agenda no Palácio da Abolição ao lado do governador Elmano de Freitas (PT). Esses trechos ligam Baturité a Aracoiaba e Aracoiaba a Caucaia, respectivamente.

Considerados os mais complexos do traçado cearense, os dois lotes atravessam quase integralmente o Maciço de Baturité, região caracterizada por relevo montanhoso e desafios geográficos que exigem soluções de engenharia mais sofisticadas. Juntos, os lotes somam 97 quilômetros de extensão, sendo 46 km no lote 9 e 51 km no lote 10.

Com a contratação dessas etapas, todos os 11 lotes da Transnordestina no Ceará estarão oficialmente em execução. A expectativa da TLSA é que a ferrovia esteja concluída e em pleno funcionamento no trecho entre Eliseu Martins, no Piauí, e o Porto do Pecém, no Ceará, até 2028. A Transnordestina é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e mineral do Nordeste, além de reforçar a integração logística da região com o mercado nacional e internacional.

Redação ANH/CE

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