Visita à Semed Maceió propondo à inserção da literatura alagoana no plano escolar
Texto e fotos: (Assessoria de Comunicação)
Um grupo de escritores e bibliotecários alagoanos visitou, na manhã de terça-feira (4), a Secretaria Municipal de Educação (Semed-Maceió) para articular a inserção da literatura popular alagoana no plano escolar. A ideia é efetivar a lei que estabelece as diretrizes para a implementação do Programa Municipal de Literatura Popular na Escola.
Em vigor desde novembro de 2025, a lei preconiza os princípios para a promoção do desenvolvimento da educação literária cultural, na matriz escolar da rede pública de ensino de Maceió. Mobilizado pelo escritor Matheus Cavalcanti, o grupo apresentou ao secretário municipal de Educação, João Folha (PDT), os eixos de execução do programa. As diretrizes para realização no plano escolar haviam sido elaboradas, pelo próprio órgão, em janeiro de 2026.
O programa objetiva a valorização de escritores, poetas e cordelistas; o acesso de estudantes à literatura alagoana por meio de bibliotecas escolares e salas de leitura – que atuariam como espaço pedagógicos, culturais e de mediação; e o incentivo à produção literária estudantil. A Rede de Bibliotecas integraria as ações de educação e cultura.
“O escritor alagoano precisa ser mais reconhecido pelo que produz. Ele precisa estar no ambiente escolar. A gente entende a literatura não somente como arte, mas como ferramenta pedagógica. Mesmo que a gente receba convites para ir às escolas, não há um cronograma. A partir da lei, a gente tem autoridade para reivindicar o direito de estar nesses espaços”, explicou Matheus Cavalcanti.

Além do grupo e do gestor da pasta, participou da reunião a diretora de Gestão Pedagógica da Semed – Maceió, Shirley Giló.
Planejamento
João Folha alinhou, com o grupo de escritores e bibliotecários, a criação de uma comissão interna para a ampliação das bibliotecas escolares e o fomento à literatura local. Além disso, afirmou que a comissão procurará definir os caminhos administrativos para a aquisição de livros, a serem introduzidos na rede municipal de ensino e estudados em sala de aula.
“Fico muito feliz em receber vocês com essa pauta. É uma pauta que a gente já tinha discutido internamente. Nós temos 167 unidades, fora o Gigantinhos, que tem uma gestão dividida com as OSC [Organizações da Sociedades Civil]. Das 167, só temos 27 bibliotecas. É uma vergonha. Temos de fazer mea culpa. A gente tem diretoras que lutam para colocar aqui e ali. Algumas salas têm o cantinho da leitura, mas nada como um programa voltado para isso”, enfatizou Folha.
O secretário municipal indicou, ainda, a formação de um plano de trabalho a ser articulado entre os autores, por meio do projeto Poematizando, do escritor Hugo Novaes. O projeto, existente desde o final de 2022, inclui formação de professores, palestras, oficinas, saraus e concursos de poesias. A iniciativa atende, ainda, a quatro princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que possibilita a utilização de obras literárias como livros didáticos.
“Como a rede de Maceió é muito grande, a gente pode juntar todos os autores que queiram participar, colocar dentro do projeto, fazer um aditivo ao contrato que estou trazendo à secretaria, e dividir por escolas para abranger toda a rede, de forma que os escritores participem de todas as escolas”, esclareceu Novaes.
Bibliocoop
Outra estratégia integrada à ação de implementação do Programa Municipal de Literatura Popular na Escola é a adesão dos escritores independentes alagoanos à Cooperativa de Trabalho Nacional dos Bibliotecários e Profissionais da Informação (Bibliocoop), como editora das obras em prosa e versos. Em agosto de 2026, foi sancionada uma lei estadual permitindo que a Bibliocoop atue como editora.
“Nós podemos atuar como editora dos autores independentes Estamos tentando agregar os nossos serviços a esse projeto. Somos mediadores da informação, organizamos a informação, representamos que o conhecimento seja acessível a todos os níveis de educação, infantil, fundamental ou médio. Podemos fazer a editoração dos livros de vocês”, destacou a bibliotecária alagoana, Maria José da Silva.








