Cidadania Alagoas

Novo capítulo na TV em Alagoas: mais um canal no ar

Por Enio Lins

AO COMEMORAR SEUS 50 ANOS, a TV Gazeta foi impactada com o rompimento definitivo de seu contrato com a Rede Globo, encerrando uma contenda judicial que se arrastou por quase dois anos, desde 8 de outubro de 2023, quando a emissora alagoana recorreu aos tribunais para tentar reverter o comunicado da direção global, recebido oficialmente quatro dias antes, de desfazimento do vínculo entre ambas as empresas.

APESAR DE AGUARDADA, essa decisão provoca o maior dos abalos no mundo jornalístico alagoano desde 27 de setembro de 1975, quando entrou no ar a TV Gazeta, transmitindo uma programação local em associação com a Rede Globo. Até aquela data, Alagoas assistia, envergonhadamente, dois canais pernambucanos, TV Jornal do Comércio e TV Rádio Clube. Essa dependência era um desconforto terrível para a alagoanidade militante, ansiosa pela emancipação televisiva. Apesar do brilho de gente alagoana nas TVs recifenses, como Aldemar Paiva e Jorge Chau, não possuir canal local e ter de assistir às programações pernambucanas parecia uma revogação do Decreto Régio de 16 de setembro de 1817. Com a outorga para uma emissora de TV em Maceió, em maio de 1974, a euforia se generalizou e, um ano depois, finalmente, a televisão começava a ser praticada no território alagoano. Em meio século nada abalou a liderança da empresa pioneira, e os canais de instalação subsequente, 5 e 11, respectivamente, TV Alagoas (hoje TV Ponta Verde) e TV Pajuçara, passaram a disputar o segundo lugar sem arranhar o protagonismo do canal 7, a TV da Organização Arnon de Mello.

MUDA TUDO ISSO a partir de partir da meia-noite de 27 de setembro de 2025, quando a programação da Rede Globo passou a ser exibida pela TV Asa Branca Alagoas, inicialmente pelos canais 28.1 em Maceió, 14.1 em Delmiro Gouveia e 15.1 em Arapiraca. O dito mercado deve sofrer uma grande chacoalhada, e por um bom tempo, até consolidar uma nova formatação nas posições de liderança nas tabelas de audiência. A TV Gazeta, canal 7, mantém como ativo a grande experiência de campeã por 50 anos, e a Rede Globo preserva, potencialmente, seus vínculos majoritários com a população telespectadora alagoana. Enquanto isso, os outros canais estão convocados a rever suas políticas para ocupar os espaços esvaziados entre o público por conta dos incontornáveis ajustes exigidos por mudança tão sentida, causada pelo divórcio TV Globo – TV Gazeta. Novos nichos de mercado serão criados nessa rearrumação e, quem tiver mais competência ganhará mais; mas dançará feio quem vacilar.

JORNALISTAS DEVEM PRESTAR muita atenção ao novo cenário, pois num mercado com crescentes problemas para o exercício da profissão, essa mudança possibilita contratações numa ponta e demissões na outra – em todos os ramos da atividade televisiva. Cabe às categorias envolvidas esforços redobrados visando um saldo positivo no quesito contratos de trabalho, considerando que a amplitude tecnológica e os apertos orçamentários produzem uma matemática onde nem sempre, num mesmo ramo, as vagas ofertadas por quatro empresas são maiores que as disponibilizadas por três.

TORÇO PARA QUE A TV GAZETA sacuda a poeira e dê a volta por cima. 50 anos de trabalho e de supremacia de audiência e no mercado não podem ser descartados de uma hora para outra, apesar da dureza do momento. Como trabalhador nas Gazetas por 18 anos consecutivos, entre 1996 e 2014, sei o valor de um posto de trabalho numa empresa de Comunicação, especialmente num espaço como o construído pela Organização Arnon de Mello desde os anos 50. Como cidadão, sei da importância do funcionamento de mais um canal de televisão para a disputa de versões das notícias ofertadas para o grande público. Luta que segue, como se diz, pois hoje é um novo dia; e amanhã, então, nem se fala.

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